terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Tu biShvat - O Ano Novo das Árvores

O tratado Rosh Hashaná, logo no seu início, declara haver quatro "cabeças de ano", uma para os reis e a Três Festas de Peregrinação (Pessach, Shavuot e Sukot), uma para o dízimo dos animais, um para a contagem dos anos e plantações de vegetais, e uma para as árvores. Bet Shamai e Bet Hilel discutem nesse assunto, sendo que o primeiro defende ser em primeiro de shevat, enquanto que o segundo defende ser aos quinze do mês. A halachá neste caso ficou conforme a opinião de Bet Hilel, e nesta data é comemorado o ano novo das árvores - Tu biShvat (neste ano de 2017 se inicia com o anoitecer de 10 de fevereiro).
Este "ano novo das árvores" tem como seu principal ponto que nesta data se faz a nova contagem dos dízimos dos frutos, a contagem de "orlá" (os três anos que uma fruta está proibida para comer) e quando deve ser apresentado o "neta reva'í" (fruto do quarto ano que deve ser levado aos sacerdotes no Bet Hamikdash). Se uma árvore for plantada antes de 15 de shevat, quando chegar esta data passará a ser contado como o segundo ano. A Gemará pergunta: "mái ta'amá?" (Qual o motivo?). Pergunta que é respondida por Rabi El'azar em nome de Rabi Oshiya: quando se chega nesta data, a maior parte das primeiras chuvas já caíram, apesar de a maior parte da estação ainda estar por vir.
O grande cabalista Itschak Luria chegou a estabelecer um seder de Tu biShvat, para comemorar a data como um verdadeiro "ano novo", em conformidade com a expressão usada pela mishná para se referir a data - este seder traz inclusive o hábito de comer dez tipos diferentes de frutas, cada uma com seu respectivo significado. Alguns grupos hassídicos tem o costume de comer o etrog guardado desde o último Sukot para comer nesta data, principalmente na forma de doces. Ainda assim, sem o Bet Hamikdash para que possamos levar os dízimos de frutas, a festa perdeu muito de sua importância original. Hoje em dia, principalmente depois do advento do Keren Kayémet leIsrael, a festa passou a ser celebrada plantando mudas de árvores em Israel. Muitos grupos de alunos de escolas saem nesta data para efetuar plantações de reflorestamento - costume que carrega alguma conotação da festa original, mas é mais voltada para o reflorestamento de Israel, que é na sua maior parte composto de deserto.
Que possamos merecer celebrar a data na melhor forma, com o Bet Hamikdash, em nossos dias.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

AVISO! BLOG NOVO!

Para quem estiver interessado, eu criei um blog que será dedicado exclusivamente a publicar comentários das porções semanais. Se chama Pinat Haperashá e será atualizado toda semana.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Perashat Noach 5777

Estas são as gerações de Noach. Noach era um honem justo, puro nas gerações dele; com D'us caminhou Noach. E gerou Noach três filhos: a Shem, a Cham e a Yêfet. E estava desolada a terra diante de D'us, e se encheu a terra de violência. E viu D'us a terra, e eis que estava desolada, pois toda carne desolou seu caminho sobre a terra.
Bereshit 6:9-12

Durante a geração do Dilúvio, toda a terra estava cheia de pessoas que eram completamente perversas, cheias de pessoas que não praticavam o bem a absolutamente ninguém. No final da perashá passada (Perashat Bereshit) vemos que o estado em que se encontrava a Humanidade foi causado pela corrupção dos líderes da época: a Torá explicita que os juízes (filhos de D'us, em tradução literal) se corromperam com "as filhas dos homens", e estes tomaram de todas as mulheres que lhes dava vontade (incluindo as que já eram casadas). A corrupção era generalizada, e aparentemente a Humanidade não tinha mais conserto.
Aí aparece Noach...
Existem duas opiniões sobre ele. Uma de que ele era de fato um grande justo. Mas há uma outra, mais intrigante: Noach só teria sido considerado justo porque foi considerado entre as pessoas com as quais vivia em sua geração. A Torá diz "Noach era um homem justo, puro nas gerações dele". Rashi e outros comentaristas explicitam que Noach é tido como puro porque D'us viu que nenhum de seus descendentes seria capaz de ser totalmente perverso, o que nos indica que todos teriam uma chance de fazer teshuvá - coisa que os outros descendentes de Adam não tinham mais por terem se afundado demais em violência e transgressões. De todas as pessoas que ouvimos na História, todas elas tinham alguma coisa boa, algum lado bom por menor que fosse - até mesmo os malditos Haman e Hitler (que seus nomes sejam apagados e esquecidos) tinham alguma bondade, ainda que apenas com as pessoas da sua família ou "raça" - o que lhes permitia a possibilidade de teshuvá. O maior ensinamento do Mabul não é que D'us pune os perversos, mas que todos tem algum lado bom (por menor que seja) e que todos tem portanto a possibilidade de arrependimento e de se recuperar de suas ações.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

O Dia das Expiações

"Pois neste dia Ele expiará por vocês, para lhes purificar; de todos os seus pecados, diante do Eterno vocês estarão purificados." - Vayikrá/Levítico 16:30

O Dia das Expiações, que se iniciará hoje com o anoitecer, é um dos mandamentos mais importantes da Torá. Todas as pessoas cometem erros, transgridem a Torá em algum ponto determinado, e precisam corrigir, sendo este o papel do mandamento de teshuvá. Entretanto, quando a pessoa faz teshuvá, o seu erro não é totalmente apagado até que chegue o Dia das Expiações e, como diz Rambam (Hilchot Teshuvá, cap. 1): "O próprio dia de Yom Kipur expia aos que fazem teshuvá, como foi dito: Pois neste dia Ele expiará por vocês".
Há duas coisas a se notar no versículo que abre este texto: 1) expiação; 2) purificação.
Imagine o caso de uma roupa suja a ser lavada: quando a lavagem é concluída, a sujeira saiu, mas deixou uma mancha para trás - isto seria como ter seus pecados expiados, retirados de cima de você. A purificação implica em algo mais profundo, em tirar toda e qualquer influência que aquele pecado possa ter sobre você - seria como retirar aquela mancha que havia sobrado na roupa. Segundo este raciocínio, o Yom Kipur não vem apenas limpar o "registro" de pecado de uma pessoa que fez teshuvá, mas até mesmo retirar as influências que isso possa ter deixado.

Que tenhamos todos feito teshuvá de todas as nossas falhas, que tenhamos um jejum tranquilo e leve, e que sejamos todos selados no livro da vida para um bom ano, que se inicia.
Gemár chatimá tová!

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Perashat Mas'ê

"Estas são as jornadas dos filhos de Israel..."

A perashá começa mencionando todo o trajeto percorrido pelo povo de Israel desde a saída do Egito. Seforno diz que D'us desejou lembrar os méritos dos filhos de Israel, por O seguirem e habitarem por quarenta anos em terras não cultivadas, sendo assim tidos como meritórios de entrar na terra de Israel.
A jornada se iniciou a 15 de nissan ("no primeiro mês, no décimo quinto dia do mês"), partindo todo o povo desde Ramessés "com mão erguida aos olhos de todo o Egito" sob a liderança de Moshê, Aharon e Miriam. Em toda a jornada de quarenta anos pelo deserto, desde Ramessés até Arvot Moav, o povo acampou em quarenta e dois lugares distintos, dentre eles o deserto de Tsin e Hor Hahar - lugares de falecimento de Miriam e Aharon, respectivamente.
Agora o povo se encontrava próximo a Jericó, mas ainda a leste do rio Jordão. D'us ordena ao povo expulsar todos os habitantes que estavam na terra de Israel e eliminar todos os traços das idolatrias praticadas por esses povos. Alerta também sobre os riscos e perigos de ter estes povos em nosso meio.
A perashá em seguida passa a falar dos limites da terra de Israel, que o povo deveria ocupar. Curioso notar que os locais de falecimento dos líderes do povo de Israel foram escolhidos como marcadores das fronteiras da terra de Israel (exceto o Mar Mediterrâneo, já que é uma.fronteira natural): ao sul o deserto de Tsin/Kadesh, onde Miriam faleceu; ao norte o Hor Hahar, onde faleceu Aharon; e a leste o rio Jordão, onde posteriormente faleceria Moshê Rabênu. Assim como eles nos "limitaram" em vida no que poderíamos e deveríamos fazer com seus exemplos, na morte eles assinalaram as fronteiras da nossa herança, a sagrada Terra de Israel.