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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Todo judeu é responsável um pelo outro


כל ישראל ערבים זה בזה
Todo o Israel é responsável um pelo outro

(Shevuot 39a)

Devemos amar e cuidar um ao outro, evitando vinganças e que nosso irmão caia, como é descrito em Levítico/Vaicrá19:17: "Não odiarás a teu irmão em teu coração; repreenderás a teu companheiro, e não levará sobre ti pecado".
Se não procurarmos ajudar nosso próximo a se livrar de um sentimento que o leva ao erro seremos tão culpados quanto ele, pois o Eterno foi claro ao declarar "e não levarás sobre ti pecado". Se não cuidarmos um do outro, quem cuidará de nós? Sim D'us cuida, mas também nos ordenou a cuidarmos e evitarmos que o outro cometa tal erro (Lev 19:17).
É mais eficaz que repreendamos nosso irmão antes que venha a cometer o erro, quando ainda cogita em seu coração, pois dele procede o "bem e o mal", como diz em Proverbios. Ou seja, se repreendermos nosso irmão quando o desejo ainda estiver em seu coração, será mais facil de livrá-lo de um erro e, por consequencia, de castigo. Além do mais, com o coração mais limpo, ficará mais próximo de D'us e terá mais ações meritórias.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Os Treze Princípios do Judaísmo

Rabi Moshe ben Maimon
O judaísmo é uma religião que já tem mais de três mil anos de idade, tendo sua verdadeira data de surgimento com a entrega da Torá no Monte Sinai. Desde então, muito aconteceu, o judaísmo se desenvolveu, o povo amadureceu. Infelizmente, cerca de dois mil anos atrás saimos para o exílio que perdura até hoje e, como se não bastassem as perseguições e risco de desaparecer como povo no meio das nações, alguns grupos passaram a se denominar judaísmo sem o serem. Há muitos séculos houve um grande sábio do povo judeu, Rabi Moshe ben Maimon (conhecido pelos ocidentais como Maimônides), que redigiu os treze princípios básicos do judaísmo - uma forma de identificar quem de fato é. De cada princípio, várias coisas derivam, e eu tentarei fazer um breve resumo em cada um dos Treze Princípios. Cada um começa com "Eu acredito com confiança plena..."

01) ... que o Criador - bendito seja Seu Nome - é quem cria e conduz a todos os seres criados, e Ele apenas fez, faz e fará todas as obras.
Este dispensa comentários: D'us apenas e ninguém mais.

02) ... que o Criador - bendito seja Seu Nome - é Único e não há Unicidade como a dEle de qualquer maneira, e apenas Ele é nosso D'us, o que foi é e será.
Apesar de à primeira vista ser o mesmo que o anterior mas apenas com palavras diferentes, este daqui traz uma informação a mais: D'us não é um "ser" que esteja associado a outro na partilha da divindade, a exemplo das crenças politeístas, mas Ele é apenas UM e não há qualquer que se assemelhe a Ele.

03) ... que o Criador - bendito seja Seu Nome - não é corpóreo e em nada pode se assemelhar a um corpo, e não carrega semelhança com qualquer forma que seja.
Este princípio aparenta contraditório, já que em muitos casos D'us é citado como tendo "rosto", "mão", "costas", etc...: na realidade, essas comparações são apenas para ilustrar um conceito, e não se trata de D'us ter alguma forma de fato.

04) ... que o Criador - bendito seja Seu Nome - foi o Primeiro e será o Último.
Ele precedeu a Criação e perdurará independente de qualquer coisa que venha a acontecer.

05) ... que o Criador - bendito seja Seu Nome - é o único e apenas a Ele se deve louvar, e a ninguém além dEle se deve louvar.
Apenas a D'us e a mais ninguém: o povo não adorou Moshe Rabeinu a"h, não se adora anjos nem a quem quer que seja: apenas a Ele, e a nada que venha a ser seu representante, seja quem ou o que for.

06) ... que todas as palavras dos Profetas são verdade.
Já que os profetas eram ordenados a falar pelo próprio D'us, então natural que o que eles falassem fosse verdade.

07) ... que a profecia de Moshe Rabeinu a"h era verdadeira, e que ele era o maior dos profetas, tanto dos que o precederam como dos que o sucederam.
A profecia de Moshe Rabeinu a"h era tão elevada que "falava com D'us face a face (intimamente)", e mesmo o Mashiach não terá um nível de profecia tão elevada quanto a dele.

08) ... que toda a Torá que temos até hoje em nossas mãos é a que foi dada a Moshe Rabeinu a"h.
Mesmo depois de tanto tempo de exílio e milênios de falta de contato entre uma comunidade e outra, os Sifrei Torá continuam sendo exatamente o mesmo em cada uma das letras, e isso mostra seu nível de confiabilidade: comunidades judaicas da Europa tem a mesma Torá com as mesmas letras sem uma única diferença sequer quando comparadas com as da comunidade no Yemen, que viveu isolada por milênios, ou de qualquer outra parte do mundo.

09) ... que esta Torá não será trocada e que não haverá outra Torá vinda da parte do Criador - bendito seja Seu Nome.
Nunca a Torá será anulada, já que é "por estatuto perpétuo". Simples assim.

10) ... que o Criador - bendito seja Seu Nome - é quem conhece todas as obras dos seres humanos e todos os seus pensamentos, como foi dito (Salmo 33:15): Aquele que sozinho forma os seus corações (dos homens) é o que entende todas as suas obras.
Comentários são desnecessários aqui e, se você cumpre um mandamento de má vontade, pode até ter algum mérito, mas será bem menor do que se os cumprir por amor a D'us e à Sua Torá.

11) ... que o Criador - bendito seja Seu Nome - concede o bem aos que guardam Seus mandamentos e pune aos que passam (transgridem) Seus mandamentos.
Nem tudo é pago aqui no Mundo Presente, mas certamente será pago no Mundo vindouro.

12) ... na vinda do Mashiach, e ainda que ele se demore, contudo ainda assim aguardarei por ele todo dia até que venha.
Traduzindo: nenhum ramo do judaísmo diz que o Messias já veio e executou o que deveria ser executado (a maioria das coisas que devem ser feitas pelo Mashiach estão compiladas pelo próprio Rambam na sua obra magna, Mishne Torá - Leis dos Reis e das Guerras, capítulos 11 e 12). Se algum se proclama judaísmo e diz que já veio, não é judaísmo (sim, messiânicos, isso foi uma indireta).

13) ... que haverá a ressurreição dos mortos no momento em que assim for da vontade do Criador - bendito seja Seu Nome - e será erguida Sua lembrança eternamente e para todo o sempre.
Isso vem de uma pequena passagem citada no livro de Daniel (12:2), e ao que me lembro é a única a falar abertamente que haverá a ressurreição dos mortos.

Esses são os 13 pilares do judaísmo. De certa forma, várias coisas derivam deles, como por exemplo a obediência às leis da Torá (que inclui as questões ligadas à conversão - fica de aviso), a crença de que o Messias ainda está por vir, dentre outros. Qualquer movimento que se proclame judaísmo e não tenha consigo esses treze princípios, tenha certeza de que não é judaísmo.

Nota: lembre que Rabi Moshe ben Maimon não criou esses princípios, mas sim os "condensou" a partir da própria Torá e das leis judaicas. Portanto, ele não deve ser considerado como o autor, mas apenas o "compilador".

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Trazendo o Messias

Já sabemos que podemos adiantar a vinda do Messias conforme nossas boas ações; então, que possamos ser mais justos e caridosos a cada dia, não praticarmos lashon hará(*) e as demais coisas que provocaram esse exílio de quase dois mil anos. Somos a geração da redenção! Que possamos trazer o Messias já, em nossos dias!

(*) lashon hará: maledicência, falar depreciativamente de outra pessoa.

Elevando o mundo

Que possamos crescer mais em sabedoria e humildade e assim construirmos um mundo melhor, pois o paraíso esta em nós mesmos. A cada vez que agimos com amor e justiça trazemos a luz a faísca Divina que se encontra dentro de nós; porém quando agimos com arrogância e maldade, transformando o mundo ao nosso redor em um verdadeiro "inferno". Pra que viver em um inferno se podemos estar no Gan Eden?

Reflexão - Perdão de pecados

Uma das coisas que mais tem me chamado a atenção são pessoas de religiões que alegam aceitar o Tanach como livros de sua fé acusarem os sacrifícios descritos na Torá de idólatras. Será que pensam que D'us pediria que O servíssemos com rituais pagãos mesmo tendo proibido a prática de avodá zará??? O "destino" de D'us não depende de sacrifícios, além do mais o sacrifício não possui valor supradivino, ele nada mais é que um mandamento, a revelação da graça Divina. Ele não é necessidade para D'us. Ao transgredirmos uma mitsvá, perdemos a conexão com nossa fonte suprema; pois o pecado é algo que não está de acordo com a consciência humana, pois é o rendimento ao mau impulso e ao pecar nos tornamos tão irracionais quanto os animais.
"Dos princípios do coração dependem as ações. Assim, aquele que fizer um pecado, não poderá purificar seu coração apenas através de palavras que venha a dizer para si entre quatro paredes "pequei, não voltarei a fazê-lo", mas sim terá de fazer uma ação importante por seu pecado, como pegar um bode de seu curral e levá-lo aos sacerdotes... a partir de toda esta ação laboriosa, ficará gravada em seu coração a maldade do pecado, evitando que cometa novamente." - Sefer Hachinuch